No capítulo anterior...
Motta
assume sua paixão por Beija e diz que vai procurá-la
Perdizes
tentar convencê-lo a não fazer tal
O
Ouvidor afirma que tem um trunfo contra a ex-amante
Josefa
e o filho João Carneiro chegam para visitar Beija
Ela
fica feliz e pergunta por Antonio Sampaio, seu ex-noivo
CAP. 128
A visita fica meio sem graça, troca olhares com João, mas
resolve tocar no delicado assunto.
JOSEFA: Antonio se casou com
Aninha Felizardo. Inclusive já está grávida. Mas não quero que isso lhe sirva
de motivo de aborrecimento, minha amiga.
BEIJA (disfarçando sua
decepção): De forma alguma. Perguntei apenas por perguntar... (mudando o tom)
Mas me conte, e as outras pessoas do arraial, os meus amigos de verdade? Padre
Aranha, Fortunato, Belegarde... Como estão?
JOSEFA: Estão todos bem.
Cada um naquela mesma rotina que você está cansada de conhecer...
BEIJA: Sinto muito falta
dos amigos de Araxá, principalmente da senhora, D. Josefa. Os outros são
homens, com eles não tinha a intimidade que temos.
JOSEFA: Beija, pare de me
chamar de senhora, estou me sentindo velha... (risos)
BEIJA: É que eu era uma
menina e a senhora, que dizer, você, já era uma mulher casada, daí o hábito...
JOSEFA: Esqueça isso.
Chame-me apenas de Josefa.
Severina serve um café fresquinho com broinhas de milho.
JOSEFA: Bom, já que não
parece incomodada com o assunto, vou lhe contar. Antonio passou muitos dias
desorientado depois da sua partida. Comentam à boca pequena no arraial que foi
o velho Sampaio que o obrigou a se casar com Aninha, por causa do compromisso
já firmado...
BEIJA: Ele não queria se
casar com ela?
JOSEFA: Dizem as más línguas
que não. Começou a beber muito. Virava noites na casa de Candinha da Serra
entre jogatinas e orgias. Foram dias difíceis pra ele...
BEIJA: Oras, mas o velho
Sampaio não comanda tudo com mão de ferro? Porque não o obrigou a sair da esbórnia?
E D. Ceci, que me parecia tão autoritária, não tomou nenhuma providência?
JOSEFA: Pois é, o velho
Sampaio chegou a surrá-lo e o proibiu de ir ao bordel enquanto não tomasse
juízo.
BEIJA: Antonio foi um
fraco, não foi capaz de fazer nada para salvar nosso amor. E antes eu me sentia
tão protegida por ele, tão amparada... Acreditava que nada pudesse me atingir
enquanto estivesse sob seus cuidados. Isso, claro, antes do rapto. Depois que
voltei de Paracatu me pareceu outra pessoa, certamente envenenado pelos pais...
JOSEFA: Você ainda o ama,
não é, Beija?
BEIJA: Não posso dizer que
o arranquei de meu coração de uma vez por todas. Mas tenho de admitir que
nossas vidas seguiram caminhos muito diferentes... A realização do nosso amor
hoje é algo praticamente impossível...
JOSEFA: Entendo... Mas já
soube que você está de amor novo... E é gente importante...
BEIJA: Venha, quero lhe
mostrar a casa, as dependências. No caminho lhe conto esta nova história... (as
duas se levantam, deixam as xícaras sobre a mesa de centro)
JOÃO: Como já conheço bem
a casa, fico aqui aproveitando as broinhas de milho, se me permitem... (risos)
Josefa e Beija saem conversando, explorando a casa.
Minutos depois alguém bate à porta. Severina atende.
PEDRO: D. Beija está? (e
vai adentrando a sala)
O príncipe dá de cara com João. Instantes de tensão, de ambas as
partes.
Continua amanhã...
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